Aneurisma cerebral: prevenção garante qualidade de vida


O cérebro é a estrutura mais complexa do corpo humano. Para alimentar esse órgão, circulam aproximadamente 750 ml de sangue por minuto em milhares de microvasos. É como se fossem várias mangueiras destinadas a regar um jardim. Enquanto elas estão com boa estrutura, o jardim recebe o nutriente necessário e da forma correta.

Mas, se uma se desgasta e desenvolve uma bolha, pode se romper e resultar em vazamento. No jardim, porém, a situação é bem menos perigosa que no cérebro.

Essa metáfora remete a um problema que atinge cerca de 5% da população mundial: o aneurisma cerebral. Trata-se de uma dilatação anormal localizada em determinado ponto dos vasos sanguíneos, que em algum momento pode estourar, causando hemorragia e, consequentemente, sequelas como comprometimento vascular e lesões cerebrais. Entretanto, a maioria dos que têm o problema passa a vida toda sem qualquer uma dessas manifestações. O maior risco é de hemorragia, que atinge 20 pessoas, a cada 100 mil, por ano.

Cérebro em risco


Embora o sangramento dure apenas alguns segundos, há aumento da pressão intracraniana, danificando eventualmente as células da região. Mas, se a pressão for muito elevada, o oxigênio e a circulação sanguínea são interrompidos, o que leva à perda da consciência.

Entre as complicações decorrentes da ruptura do aneurisma estão:

• Vasoespasmo – os vasos sanguíneos no cérebro podem se expandir e se estreitar de forma irregular, causando espasmos. Isso limita o fluxo de sangue para as células cerebrais, danificando-as.

• Hidrocefalia - se o rompimento resultar em hemorragia no espaço entre o cérebro e o tecido que o circunda, o sangue pode bloquear a circulação do fluido que irriga o cérebro e a medula – chamado de líquido cefalorraquidiano. Essa condição pode resultar em hidrocefalia (um excesso de líquido que aumenta a pressão sobre o cérebro e pode danificar os tecidos).

Caminhos para o tratamento

Há uma máxima na área médica que afirma: aneurisma encontrado, aneurisma operado.

Isso significa que cada caso deve ser analisado para, então, ser tomada a decisão sobre a intervenção a ser feita: microcirurgia ou técnica endovascular. Esses são os dois caminhos possíveis, pois ainda não há medicamentos capazes de tratar o problema, apenas as complicações decorrentes de uma ruptura.

Os dois tratamentos consistem em obstruir a circulação de sangue no aneurisma, mas cada um tem suas particularidades:

• Microcirurgia – por meio da abertura do cérebro, coloca-se um clipe metálico na base do aneurisma. Esse é o tratamento clássico e o mais utilizado no país.

• Técnica endovascular – um microcateter segue da virilha até o cérebro e é posicionado no interior do aneurisma. Através dele são implantadas microespirais de platina, para preenchê-lo.

Inicialmente, esse tratamento se restringia a pacientes com lesões graves e que não podiam ser operados. O desenvolvimento da técnica permitiu sua expansão para outros casos.

Detecção precoce

Muitas vezes o paciente descobre a lesão em meio ao tratamento de outra disfunção, ou até em um checkup.

Portanto, uma vez diagnosticado um aneurisma cujo tamanho leve a risco de rompimento - e se a idade e as condições de saúde permitirem - é indicado tratamento preventivo, a fim de evitar sangramento.

*Fonte: www.alberteinstein.com.br